Jiddu Krishnamurti : Freedom from self


Sinto por estarmos
tendo um tempo tão ruim. Eu gostaria que tivéssemos aguardado
apenas por mais dois dias. Podemos continuar de onde
paramos no último domingo? Primeiramente, se podem lembrar-se,
isto não é uma conferência… …sobre um determinado assunto com a
intenção de ser informado, instruído. Não é uma conferência. Estamos conversando juntos
sobre problemas humanos… …não somente os problemas
diários de nossa vida, com toda a lida da existência… …mas também deveríamos
ir muito mais fundo, talvez irmos juntos na investigação… …o que está além de
todo o tempo, qual é… …a fonte, a origem, de toda a criação? E para entrar nessa área toda
deve-se começar, certamente… …com todos os conteúdos de nossa
consciência, com o que somos… …nossas reações,
nossas anxiedades, solidão… …depressão, exaltação, medos,
a continuidade do prazer. E investigar também se é
possível findar todo o sofrimento. E também deveríamos investigar esta manhã,
e talvez amanhã de manhã… …a natureza do morrer,
o que é religião… …meditação, e
toda a limitação do tempo. Temos de cobrir muita
coisa nestas duas palestras. Assim devemos ir muito
a fundo nesta matéria… …porque sempre
podemos arranhar… …a superfície como geralmente
o fazemos e descobrir muito pouco. Mas se pudéssemos ir muito, muito
mais à fundo na questão toda… …de se o conteúdo de nossa consciência
pode em algum momento chegar a um fim; …isso é, o fim de todas as nossas
feridas, dores psicológicas, medos… …além de todas as memórias as quais
nos apegamos, e a dor, o prazer… …a grande quantidade de
pesar e sofrimento… …tudo o que compõe a nossa consciência
que é o que nós somos. Como muitos de nós estão preocupados consigo mesmos, com nossas
próprias realizações… …com nossos próprios sucessos, fracassos e dando grande importância a nós mesmos… …em fazer pequenas coisas
– se tudo isso pode findar… …e descobrir algo
totalmente novo. Não somente descobrir, mas experimentar. Deve-se ser muito cuidadoso no
uso da palavra “experimentar”. Realmente não há nada
para experimentar. Se você for além do tempo,
se isso é possível… …e além do medo e assim por diante,
há algo para experimentar? Vamos entrar nisto tudo esta
manhã e amanhã de manhã, juntos. Vocês não estão meramente escutando o
orador, um monte de palavras… …um monte de palavras juntadas
numa sentença e em idéias… …mas juntos vamos investigar
isto tudo e ver se nossos cérebros… …que têm sido tão fortemente
condicionados, programados… …se esses programas
podem chegar a um fim… …e nunca mais
serem programados. Tudo isto requer muita intenção
séria e considerável atenção. E se estamos dispostos, esta manhã
e amanhã, a dedicar nosso interesse… …não apenas superficialmente mas
dar nossa atenção profundamente a isso… …talvez possamos entrar
juntos nisto tudo… …e ver se há algo
infinito além de todo o tempo. Podemos fazer isso esta
manhã e amanhã? Primeiramente… …percebemos que o pensamento é um
processo material e portanto limitado? E qualquer ação baseada nessa limitação
deve inevitavelmente criar conflito. E assim o pensamento é
um processo material. A matéria é energia limitada. E o conteúdo total
de nossa consciência… …é o resultado do
processo material do pensamento. Certo? Temos dito repetidas vezes… …pelos últimos incontáveis anos
que o pensamento é um processo material. E o conteúdo de
nossa consciência… …com todas as reações
e respostas e assim por diante… …são reunidas pelo processo
material do pensamento que é limitado. Assim nossa consciência,
que é o que nós somos… …o que quer que pensemos ser
– é sempre limitada. Quando se está preocupado consigo
mesmo, com seus problemas… …com seus relacionamentos, com
seu “status”, e assim por diante… …esta preocupação consigo
mesmo é um assunto muito pequeno, um assunto muito limitado. Certo? Vemos realmente isto ou é
apenas uma idéia a ser perseguida… …investigada e então
chegar a uma conclusão… …e aceitar essa conclusão
e dizer, “Eu sou isso”. Ou vemos imediatamente, instantâneamente,
que toda a atividade auto-centrada… …é muito, muito limitada
– seja em nome da religião… …em nome da paz, em nome de
levar uma vida boa, e assim por diante… …esta atividade auto-centrada
é sempre limitada… …e portanto a
causa do conflito. Percebemos realmente isso? Ou isso é meramente uma idéia? Vemos a diferença entre
a realidade e a idéia? Se se persegue a idéia, então
se está seguindo algum tipo de ilusão. Mas se realmente se percebe
a atividade auto-centrada… …egotista é muito, muito,
muito pequena e separada… …e portanto a causa
básica do conflito é o ego. Gostaria de saber quantos de nós ouvem
isto e realmente o percebem. E o ego, a psique,
a persona… …é o inteiro conteúdo
da nossa consciência… …que é o nosso condicionamento… …que é o nosso ser programado
por milênios e milênios… …que é a total estrutura
do conhecimento. Estamos juntos nisto tudo? Ou estou falando
russo ou chinês? Se o orador não está satisfazendo em
chinês ou numa língua peculiar… …e portanto não há
comunicação entre nós… …mas deveria haver clareza e comunicação
quando ambos estamos olhando… …para estes enormes, complexos problemas da existência de nossa vida diária… …monótona, entediante,
excitante, satisfazendo-se, perseguindo várias formas de prazer… …e finalmente, quer se tenha uma
vida divertida ou uma vida miserável… …finalmente terminando na morte. Certo? Assim nossa vida geralmente
é bastante superficial. Tentamos dar sentido a
essa superficialidade… …mas esse sentido também… …esse significado,
ainda é superficial. Assim poderíamos esta
manhã, percebendo tudo isto, seguir e descobrir por nós mesmos… …não ser informado pelo orador,
não ser instruído pelo orador… …mas juntos explorar
o que realmente nós somos… …e destruir esta limitação
e ir, se possível, mais adiante? Isto está claro – o que estamos fazendo
esta manhã e amanhã – juntos? O conteúdo da nossa consciência
– um dos fatores – é o medo. E a maioria de nós sabe o que é o medo
– seja ele superficial… …ou profundamente incrustado nos
próprios recantos do nosso cérebro. Todos nós estamos com
medo de alguma coisa. Certo? Assim pode esse medo
terminar psicologicamente? Comece com isso. Então podemos perguntar se
também há medos físicos… …e sua relação com a psique,
medos psicológicos. Assim, estamos investigando juntos
a natureza do medo… …não as várias formas do medo. Pode-se ter medo da morte, pode-se ter
medo da esposa ou do marido… …pode-se ter medo
de várias coisas. Mas estamos interessados
no medo em si mesmo… …não o medo de alguma coisa ou
medo do passado ou do futuro… …mas a reação real
que é chamada medo. Estamos juntos pelo menos nisto? Assim, qual é a causa,
a raíz do medo? É o pensamento e é o tempo? Devemos cobrir muita coisa,
assim devemos ser breve. É o pensamento – pensar sobre o
futuro ou pensar sobre o passado? E assim, é o pensamento uma
das causas do medo? E o tempo é também a causa – tempo, como ir envelhecendo,
como a maioria de nós está. No momento em que nascemos
já estamos envelhecendo. E o tempo como futuro – não pelo
relógio, pelo dia ou pelo ano… …mas o tempo como um movimento d´”o que
é” para “o que deveria ser”… …”o que poderia ser”, “o que tem sido”, dissemos o movimento total do tempo… …o processo psicológico do tempo
– é essa uma das causas do medo? A memória de alguma dor,
tanto física como psicológica… …que poderia ter acontecido
algumas semanas atrás… …e lembrando-se disso e ficando… …com medo de que isso
poderia acontecer novamente… …o que é o movimento
do tempo e do pensamento. Assim o tempo e o pensamento
– são eles as causas do medo? Certo? E este tempo que é pensamento,
porque pensamento como dissemos… …é a resposta da memória que
é conhecimento e experiência… …assim conhecimento é
do tempo, e conhecimento… …pode ser uma das causas do medo. Gostaria de saber se
estão acompanhando. Certo? Assim estamos dizendo, tempo, pensamento, conhecimento, que não são separados… …que é um real movimento unitário,
o qual pode ser a causa do medo. E é a causa do medo. Certo? Então, quando se percebe isso,
mesmo intelectualmente, verbalmente… …é possível
por fim a esse medo? Certo? O que significa, pode o pensamento? Qual é sua resposta? Estão esperando por
mim para instruí-los? Portanto não estamos trabalhando,
pensando, investigando juntos. Certo? Vocês estão esperando pelo
orador para responder a essa pergunta. E isso significa que nossos cérebros têm
sido condicionados, treinados… …educados para aprender de outra
pessoa, ser instruído por outrem. E aqui nos recusamos a instruí-los
ou dizer-lhes o que fazer. Não temos nenhuma autoridade para
dizer-lhes o que fazer… …não como estes
gurus feios e abomináveis. Assim nós estamos juntos. Por favor, é importante compreender
o que isso significa, “juntos”. Não vocês e eu trabalhando separadamente
– juntos olharmos para isso. Juntos vermos o movimento total
do medo, o que está envolvido nisso. Por que a humanidade tem suportado este
medo por milhares de anos… …e não o tem resolvido? Eles o têm transmitido e aceito como
norma de vida, como um modo de viver. Mas se começam a perguntar,
como estamos fazendo agora… …perguntar se o medo jamais pode
terminar por completo psicologicamente. Portanto, devemos
compreender a causa. E onde há uma causa,
há um fim. Se alguém tem algum tipo
de doença e se… …após o diagnóstico você descobre
a causa, a doença pode ser eliminada. De modo similar, se
podemos descobrir a causa… …a causa básica, a causa fundamental,
então o medo pode terminar. Certo? Assim juntos estamos dizendo
que tempo e pensamento são… ..ou tempo-pensamento, não duas
coisas separadas, é a raiz do medo. Certo? P: O medo não é sempre
precedido pelo desejo? Senhor, por favor não faça
perguntas agora… …isso foi anteontem,
e na terça-feira. O desejo também é parte do medo. Investigamos isso muito cuidadosamente
outro dia – a natureza do desejo. Querem que eu
investigue isso novamente? P: Não. Por que você diz não? Temos entendido a natureza
e todo o movimento do desejo? Vejam, por favor, nós não escutamos,
não o orador, mas nós mesmos. Nunca dizemos, “O que é o desejo?
Por que somos escravos do desejo?” Dissemos que o desejo é sensação. Essa sensação – o ver, o contato,
sensação – então o desejo surge. Ou seja, o pensamento cria a
imagem a partir dessa sensação… …então nesse momento,
segundo, o desejo nasce. Claro? Não. E eu não vou investigar isso tudo porque
o fizemos no outro dia… …muito cuidadosamente e profundamente
– em toda a natureza do desejo. E o desejo também é um
dos fatores do medo. Desejo é pensamento com sua imagem. Se você tem um desejo sem
imagem alguma, não há desejo. A visão de uma blusa ou saia azul
ou qualquer coisa que for na vitrina… …e entrando na loja
e a tocando, sensação. Então o pensamento cria a
sua imagem com essa camisa… …então o desejo,
nesse momento nasce. Assim o pensamento é essencialmente
o movimento do desejo… …e tempo-pensamento
é a raiz do medo. Agora, percebe-se
este fato real? Então como você observa esse fato? Eu percebo – suponha,
eu percebo que o pensamento… …com toda a sua complexidade, e
o tempo também, é a raíz do medo. Então como percebo isso,
sinto isso, estou cônscio disso? Entendem minha pergunta? Vejo isso como algo
separado de mim… …tempo-pensamento, algo
separado de mim ou eu sou isso? Isso tudo está se tornando
um tanto complexo? Eu sou a raiva, não sou? A raiva não é algo
separado de mim. Eu sou a ganância, a inveja, a ansiedade. Certo? Gosto de pensar que é algo
separado sobre o qual tenho controle. Mas o fato real é que eu sou tudo isso
– até o controlador sou eu. Certo? Assim não há divisão entre ganância,
raiva, ciúmes, e assim por diante… …isso sou eu,
isso é o observador. Certo? Agora, assim como é que eu observo… …como se observa este
fato que tempo-pensamento é medo? Como você observa isso? Entendem? Como você olha para isso? Como algo separado
de você, ou você é isso? Se você é isso, e isso não está
separado de você – certo? …toda a ação cessa, não é? Antes, eu controlava, reprimia,
tentava racionalizar o medo. Certo? Agora a pessoa vê que
ela é tudo isso… …e portanto todo o movimento
do tempo e do pensamento pára. Devo prosseguir. Estamos juntos, um ou dois de nós? Vocês todos estão tão ávidos por agir. Deve-se agir, mas aqui você
tem que olhar a coisa toda… …sem nenhum sentido
de fazer algo. Certo? Apenas observar sem nenhuma reação
ou resposta àquilo que você observa. Certo? Então, também deveríamos entrar na
questão por que o homem tem sofrido. E se há um fim
para o sofrimento… …não somente o sofrimento pessoal,
mas o sofrimento da imensa humanidade. Certo? Não sejamos sentimentais
a respeito disto… …mas realmente todos nós
sofremos de um modo ou de outro. O homem obtuso sofre, o mais
intelectual e instruído artista… …todo ser humano sobre a Terra,
incluindo os líderes na Rússia… …todo ser humano sofre. E estamos fazendo uma pergunta muito
séria, se esse sofrimento pode terminar. Ou alguns de nós sentem prazer
em sofrer, o que se torna neurótico. Assim não vamos nos preocupar com
pessoas que gostam de sofrer… …achando que o sofrimento
de algum modo nos ajudará… …a compreender este universo,
a compreender a vida, e assim por diante. Certo? Assim, a pessoa sofre. Meu filho está morto, se foi. Mas a lembrança disso permanece,
a lembrança da sua compania… …da minha afeição,
amor por ele, e assim por diante. A memória permanece.
Certo? E essa memória é sofrimento? Por favor, investiguem juntos. Perdi minha esposa, ou não
sou tão inteligente quanto você… …não tão perspicaz, sensível
quanto você e por isso sofro. Ou sofro de dez maneiras diferentes. E é o sofrimento, o verter
de lágrimas, é isso a perda… …a perda real, ou é a perda que
causa várias lembranças, recordações. Vocês seguem tudo isto? É essa uma, ou talvez a
maior causa do sofrimento? O homem, incluindo a mulher, o homem
desde o seu princípio… …tem tido guerras,
matado pessoas. Certo? Esso tem sido nosso
padrão de existência… …guerra após guerra, matando
milhares de pessoas. A humanidade tem sofrido. E ainda estamos prosseguindo
nesse caminho da guerra… …que tem causado um tremendo
sofrimento para a humanidade. Certo? E temos o nosso próprio
sofrimento pessoal. O sofrimento é o mesmo
seja seu ou meu. Gostamos de nos identificar
a nós mesmos com o “meu” sofrimento… …e você gosta de identificar-se
com o seu sofrimento. Mas o seu sofrimento e o
meu é o mesmo. Os motivos do sofrimento podem
variar, mas sofrimento é sofrimento… Portanto não é pessoal. Gostaria de saber se percebem isto? Certo? Não, é muito difícil de se
ver a verdade disto. Se você sofre e eu sofro
– você sofre por uma razão… …e eu sofro por outra,
e nos identificamos a nós mesmos… …com o “meu” sofrimento pessoal e você
com o seu, nós nos dividimos… …e então encontramos meios e modos de… …suprimí-lo, racionalizá-lo,
e assim por diante. Mas se percebemos que esse
sofrimento é o sofrimento… …de toda a espécie humana,
de toda a humanidade… …e somos o resto da humanidade
porque temos medos, sofrimento, prazer… …ansiedade, como o
resto da humanidade… …se percebemos que o sofrimento
não é o “meu” sofrimento, isso se torna uma questão insignificante. Ou seja, somos o todo da humanidade,
somos o resto da humanidade… …e quando há sofrimento,
o sofrimento é o sofrimento do homem. Então se tem uma abordagem
do problema totalmente diferente. Compreendem? Não meu sofrimento,
“Deus, por favor ajude-me, …como superar isso, como entender isso”. Eu rezo, e tudo isso torna-se tão
pessoal, uma questão ínfima. Certo? Mas quando é o resto da humanidade que… …tem sofrido, então
o sofrimento se torna… …uma coisa extraordinária para a qual
se tem de olhar muito cuidadosamente. E se um ser humano compreende
a natureza do sofrimento… …e vai além dele, então ele
ajuda o resto da humanidade. Certo? Agora, é o sofrimento uma lembrança? A mãe ou o pai cujo
filho foi morto… …na recente guerrinha particular de
vocês, as Malvinas – morto lá. E a mãe e o pai lembram
todas as coisas que ele fez: …a morte, o nascimento, as imagens,
as fotografias, todos os incidentes… …e acidentes, o riso, as lágrimas,
repreensão – acompanham? Assim estamos pedindo, por favor
descubram por vocês mesmos… …se o sofrimento é parte
desta continuidade da memória. E se é a memória, não a reduza
apenas a algumas palavras. É um conteúdo imenso. E se é a memória, pode essa memória,
não somente do meu filho em particular… …mas a memória do sofrimento da
humanidade, memória que é sofrimento… …pode essa memória chegar a um fim? Compreendem? Portanto deve-se investigar… …não uma memória particular,
mas o inteiro movimento da memória. Certo? Vivemos de memórias,
somos memórias. Somos a palavra, a reação a essa palavra,
o prazer derivado da palavra… …a lembrança de todas as coisas que… …existiram, aquele símbolo,
aquele incidente… …acidente armazenado
no cérebro… …que é despertado quando
um incidente ocorre. Certo? E memória é o passado. Certo? Assim somos o passado. Pode este inteiro movimento do passado,
que é tempo, que é pensamento, findar? Não o pensamento na nossa vida diária,
não estamos falando disso… …não estamos falando
quando o pensamento… é usado para dirigir um carro… …para escrever uma carta,
um poema, escrever isto ou aquilo. Nesse ponto o pensamento,
o conhecimento… …é absolutamente necessário. Estamos falando deste
movimento psicológico… …total que é baseado na memória. Assim, estamos fazendo uma pergunta
muito mais profunda que é: …pode o eu, o “mim”, o ego,
toda esta atividade auto-centrada… …que é o movimento da
memória, pode esse eu findar? Não pela disciplina, pelo controle,
pela repressão… ou identificação
com alguma coisa maior… …que ainda é o
movimento do eu. Pode esse eu findar? Você podia então perguntar,
“Se o eu termina, que lugar há… …para mim na sociedade? O que farei?” Certo? Certo senhor? Primeiro acabe com ele e então descubra
– não o inverso. Esta é uma questão muito,
muito séria. Ninguém no mundo ou além
dele pode lhe dizer… …talvez a maioria de nós tente obter
instruções do outro mundo. Ninguém na Terra pode
lhe dizer como acabar com ele. Mas se se observa todos estes
fatos sem quaisquer reações… …eu observo o fato que estou ferido
psicologicamente porque minha filha… …meu filho, meu pai fez
algo que me magoou… …se eu conseguisse observar essa mágoa
sem uma única resistência… …sem qualquer ação de que eu não deveria
me magoar, ou mantém a mágoa… …a maioria das pessoas
faz, através de toda… …a sua vida elas carregam sua mágoa. Mas observar esta mágoa, ferida
psicológica, sem nenhuma reação a ela… …então se vê que essas
mágoas desaparecem completamente. Certo? Assim do mesmo modo, apenas observar,
observar a memória como ela surge… …ver a natureza dela,
a sua evolução. A inteira natureza da atividade de
nossa vida diária está baseada nisto. E a memória é muito, muito limitada. O pensamento pode inventar o infinito,
mas ele próprio sendo limitado… …a sua infinitude também
é limitada, finita, mas pode supor que ele seja infinito. Assim, tudo isto implica
em completa liberdade. Certo? Não somente liberdade de alguma coisa,
mas a qualidade da liberdade… …que não está baseada
em qualquer reação… …qualquer recompensa ou punição. Para investigar isso
também, deve-se… …compreender a natureza
da morte, o morrer. Estão interessados nisto tudo? Ao menos isto ainda os entretém? Vejam que se deve investigar
com muita serenidade… …não histericamente, este
problema muito complexo. Morrer ou chegar a um fim é
aquilo em que estamos interessados… …conversando sobre, porque
é parte da nossa vida. Não somente sobre nascermos e toda a
educação e todas as dificuldades… …e todas as ansiedades,
e assim por diante, mas também a morte
é parte da nossa vida… …está aí, gostem vocês ou não;
sejam vocês ingleses ou franceses… …está aí; seja você
jovem, de meia idade ou velho… …doença, acidente
– ela está aí. E deve-se compreender o que ela é, como se deve compreender
a vida antes da morte. Temos tentado compreender
juntos o que a vida é antes da morte… …medo, feridas, sofrimento,
dor, ansiedade, trabalho… …ir ao serviço
desde a manhã até a noite. Tudo isso é parte da nossa vida, viver,
e também o fim de tudo isso. Espero que esta mosca vá para vocês. Ela parece ter gostado de mim. Pode-se ter tido uma vida
muito boa, agradável, bem sucedida, ser alguém no mundo… …poder, posição, dinheiro, mas
no fim a morte está lá. Gostamos de adiá-la e afastá-la o mais
longe possível, colocá-la distante. Assim, vamos juntos
investigar. O organismo morre, naturalmente. Viverá tanto quanto possível
se o usarmos adequadamente. Não entraremos na
questão da saúde. Sei que estão todos interessados na
saúde mas não entraremos nisso agora. O que é morrer? Não pular da ponte, não
fazer algo para se matar… …mas vivendo como
estamos agora, sentados… …aqui sob a tenda,
o que é a morte? Independente de todo
o organismo físico… …o cérebro com a falta de
oxigênio definha e há a morte? Mas estamos perguntando,
a morte é um fim? Certo? Um fim de tudo
o que tenho tido… …minha esposa, meus filhos,
meus livros, meu “status”, meu poder, minha posição… …vocês sabem – tudo isso
vai chegar a um fim. E também, devemos investigar a
questão, que é a questão… …do Oriente, que é a reencarnação,
renscer um apróxima vez. Assim uma série de vidas até você
alcançar seja o que for… …vocês sabem, o princípio
supremo, e assim por diante. Eles acreditam nisso
muito fortemente… …mas não investigam profundamente
o que é que continua. Certo? É o “eu” que vai continuar… …ou há alguma coisa além
do “eu” que vai continuar? Certo? E se há alguma coisa além do “eu”,
minhas idéias, minhas opiniões… …minhas conclusões, e assim por diante,
a cerca das quais falamos antes. Se esse “eu” é a palavra, o nome, as
lembranças, isso vai continuar? Certo? Ou há uma entidade espiritual… …a alma no mundo cristão
e no mundo budista… …o mundo hindu tem palavras
diferentes – isso continuará? Então essa coisa que está além de mim ou
que está em mim mas o “eu” a encobre. Então se essa é uma entidade espiritual, deve estar além do tempo e além da morte. Certo? Portanto essa entidade
não pode reencarnar. Certo? Assim as pessoas gostam de acreditar
nisso tudo porque é um grande conforto. Nascerei na próxima vida. Tenho tido uma vida pobre, na
próxima vida terei uma casa melhor. Na outra vida viverei numa
casa maior ou serei um rei… …ou alguma outra bobagem. Assim se colocarmos de
lado todo esse tipo de… …buscas ilusórias e encararmos o fato… …que psicológicamente há
um fim, um fim completo. O “eu”, com todas as suas memórias,
chegou a um fim – isso é o morrer. E não gostamos disso. E assim procuramos várias
formas de conforto, crenças,… …fé, resurreição e
– vocês sabem, tudo isso. Agora, enquanto vivemos, podemos
findar alguma coisa sem qualquer causa… …sem qualquer futuro
– findar alguma coisa? Compreendem minha pergunta? Tome por exemplo: colocará fim
a todo apego: ao seu nome… …apego à sua mobília,
à sua esposa, ao seu marido… …ao seu jardim, apego às
suas idéias, preconceitos… …por fim a todos os
apegos enquanto vivemos? Isso é o que vai acontecer
quando realmente morrerem. Certo? Assim façam isso agora e
vejam o que isso significa. O findar é extraordinário, tem uma
extraordinária qualidade por trás disso. Não há apego à qualquer coisa. Isso é liberdade, e quando há esse
tipo de liberdade a morte não amedronta. Compreendem? Porque já estão vivendo
com a morte. Os dois seguem juntos,
o viver e o morrer. Vocês vêem?
Não, não vêem. Compreendem a beleza disso? A qualidade da completa
liberdade de todo o medo. Porque onde há apego
há ciúme, ansiedade, ódio. E quanto mais apegados
estiverem mais dor existe. Vocês sabem tudo isto. Se for a sua esposa ou
seu marido e disser… …”Eu não estou mais apegado
a você”, o que aconteceria? Isso nega o amor? Isso nega o relacionamento? Apego é amor? Continuem, investiguem tudo isto
e quanto mais fundo investigarem… …mais vitalidade e
segurança se tem. Isso não é derivado de quaisquer
drogas ou qualquer estimulação. Seria melhor parar agora e
continuarmos amanhã de manhã. Por favor, vamos discutir
amanhã de manhã… …muito cuidadosamente qual é a origem
de tudo isto, o começo de tudo isto. Por que o homem tem de passar
por toda esta miséria, confusão, prazer e alegrias ocasionais. A menos que se compreenda a criação
desde o seu exato começo… …e na compreensão disso… …este extraordinário sentimento de
não-tempo e de não-começo ou fim. Posso me levantar?

38 thoughts on “Jiddu Krishnamurti : Freedom from self

  • Nearly all Krishnamurti Talks in this channel have Subtitles in various languages, you can turn on the CC and select your language for Subtitles just in case the talks audio is not clear.. Regards,

  • I am surprised J Krishnamurti isn't more popular then he is?  I mean He is well known throughout the world but still when one considers the magnitude of his knowledge – understanding – Anyway just thinking?

  • Thank you Jiddu Krishnamurti for time and efforts. One of our greatest man on earth.
    He gives very good explanations of human problens. And he also said MEDITATION IS NECESSARY.

  • One of the greatest true honest passionate person i have ever listen too love and peace for all mankind a true revolutionary

    Love this speech 🙂

  • Krishnamurti many times insisted on the issue about the death of our ego–without give an end to our selves our brains there is no going to be freedom–for Krishnamurti knowledge and technology is a show in our daily life but not the Real essence

  • as always very good but not perfect…
    he forgets to mention obvious stuff such as suffering coming from feelings (not always mediated by thought) and very simple stuff such as suffering caused by physical pain: a person with a chronic disease that is in a great deal of pain is not being hurt by thoughts, but by simple neural feedback from pain receptors, and there is a great deal of that going around

  • Immanuel Kant thought that if we were capable of removing our innate, distorting perceptions of the world through space and time we would be able to see the world as it truly is, he calls it the "ding-an-sich". I believe J. Krishnamurti truly saw the "ding-an-sich". Krishnamurti was capable of experiencing the eternal, the limitless, the "thing and of itself", the energy which is never wasted! Whatever you want to call it! He is inviting us to experience it as well.

  • Well I know that Ive had my fair of suffering , as a child and it it was a memory that took me a long time to escape and I have caused suffering to my self and others as a result . I still suffer but I forgive myself through the message of Jesus or Yeshua its simple enough when I reached that deep understanding , fear is gone and only calm remains in the kind of conciousness still and empty yet restful .

  • As a Buddhist practitioner I am so impressed by his lucidity and insight. He is free from dogma and sees the truth of suffering so well and clearly. Any human being can be free by taking this path. I have to give tremendous thanks to Zen Master for posting this very compassionate video. Palms together.

  • Anyone interested in having a Bahai Faith———Krishnamurti dialogue, please let me know. Thanks.

  • is this from a series? he mentions the other day. I would love to see a whole series in order of each day if possible?

  • We are chasing that which we already are, that which we already have and had from the start. We want peace/happiness, and only way to get it is not to look for it. You see, it's so simple that it makes it almost impossible. We project that peace and happiness is achieved through objects. We get happy when we achieve something not because of the achievement, but because we're not trying to get it anymore. That's like going to war in order to be at peace, which is absurd. So in not trying to be at peace, mind naturally becomes peaceful.

  • Surprise ,the audience still staying quietly even after the speaker left,shows jk not only speaker but also mental vibrator

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